18 de agosto de 2011

A Alma encantadora das ruas


A crônica “As mariposas do luxo”, do livro "A alma encantadora das ruas" (dísponivel domínio publico) fala de duas operárias, que depois do trabalho ficam na frente de uma vitrine de uma casa de objetos de luxo fitando os produtos, entre o vai e vem de uma cidade movimentada.
Cada peça encontrada dentro da loja representa uma fantasia, já que o futuro delas é certo:
“Elas, coitaditas! passam todos os dias a essa hora indecisa, parecem sempre pássaros assustados, tontos de luxo, inebriados de olhar. Que lhes destina no seu mistério a vida cruel? Trabalho, trabalho; a perdição, que é a mais fácil das hipóteses; a tuberculose ou o alquebramento numa ninhada de filhos. Aquela rua não as conhecerá jamais. Aquele luxo será sempre a sua quimera.”

As fotos abaixo foram tiradas inspiradas na cronica, em um shopping de Brasília:


“A rua não lhes apresenta só o amor, o namoro, o desvio...Apresenta-lhes o luxo. E cada montra é a hipnose e cada rayon de modas é o foco em torno do qual reviravolteiram e anseiam as pobres mariposas.
– Ali no fundo, aquele chapéu...
– O que tem uma pluma?
– Sim, uma pluma verde... Deve ser caro, não achas?”


“Afinal chegam ao Largo. Um adeus, dois beijos, "até amanhã!"
Até amanhã! Sim, elas voltarão amanhã, elas voltam todo dia, elas conhecem nas suas particularidades todas as montras da feira das tentações; elas continuarão a passar, à hora do desfalecimento da artéria, mendigas do luxo, eternas fulanitas da vaidade, sempre com a ambição enganadora de poder gozar as jóias, as plumas, as rendas, as flores.”



“Elas fixam a atenção. Nenhuma das quatro pensa em sorrir. A jóia é a suprema tentação. A alma da mulher exterioriza-se irresistivelmente diante dos adereços.”


“Por trás do vidro polido, arrumados com arte, entre estatuetas que apresentam pratos com bugigangas de fantasia e a fantasia policroma de coleções de leques, os desdobramentos das sedas, das plumas, das guipures, das rendas”



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